Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

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DF e Entorno
Publicada em 14/04/18 as 17:22h - 6 visualizações
Brasília tem motivos de sobra para comemorar Dia Mundial do Café
Quadradinho abriga 200 unidades de cafeteria para atender aos mais diferentes paladares

PORTAL CAPITAL VERDE


Pode até ter quem não goste, mas café é paixão nacional. O Brasil é o segundo maior consumidor da bebida no mundo e lidera quando o assunto é produção e exportação do grão. No Distrito Federal, a cultura ainda é tímida. São 1,3 mil toneladas produzidas em mais de 500 hectares de terras, movimentando R$ 6 milhões, mas até mesmo as fortes estiagens do meio do ano contribuem para o plantio. No quesito xícara, a bebida é sensação: 200 cafeteiras fazem o gosto do brasiliense. No Dia Mundial do Café, o Jornal de Brasília conta tudo sobre a bebida queridinha do solo tupiniquim.

O secretário da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Argileu Martins da Silva, diz que a cafeicultura brasiliense existe desde sempre, mas é uma produção reduzida. Não se colhe nem 10% do que é consumido em solo candango. "Aqui temos a café de alta qualidade, com bebidas bem classificadas e algumas inovações. Comparando com outras culturas, a representatividade é baixa, mas é boa alternativa para o Cerrado, já que preserva o solo, se faz bom manejo e pode ser feita para pequenos, médios e grandes produtores", explica.

De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater), são 538,81 hectares do quadradinho, espaço equivalente a mais de 754 campos de futebol, com produção de 1.355,77 toneladas. Cada hectare plantado na capital produz, em média, 41,33 sacas do grão, pesando 60 kg. São cerca de duas toneladas e meia colhidos anualmente. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), um pé produz cerca de 2,5 kg do fruto por ano. Isso rende 0,5 kg de grãos ou 0,4 kg de café torrado.

A cultura, porém, é tida como promissora. No Distrito Federal, a área plantada cresce acima da média e tem o dobro da produtividade média nacional. A cultura movimenta R$ 6 milhões por ano de valor bruto. Entre os quatro cantos do Distrito Federal, os destaques de produção são Planaltina, área de 236 hectares e produção de 543 toneladas, e Paranoá, com 500 toneladas colhidas nas plantações em 176,5 hectares.

O grão é o arábico, com diâmetro de 10 a 15 milímetros e 18 milímetros de altura. A safra é comercializada localmente em alguns estabelecimentos da capital, mas geralmente é vendida para Minas Gerais e São Paulo, onde é torrada e levada para a exportação.

A seca, que poderia representar um problema, na verdade, é apontada como uma vantagem. "O café pode ficar cerca de 70 dias sem receber água, no que a gente chama de estresse hídrico. Quando vem a chuva, ele floresce e frutifica quase de forma homogênea. O que poderia ser um defeito é qualidade", afirma o representante da Embrapa Café.

Foi do DF o primeiro café orgânico em cápsulas do Brasil. O matemático Márcio Jório resolveu embalar o grão que produzia há 20 anos para uso em máquinas de expresso. A cultura começou após a aposentadoria, em 1997. Dos mais de dois mil pés da lavoura de 1,5 hectare de uma chácara no Lago Oeste, nasce o Café Serrazul, que rende cerca de 20 sacas por hectare. O foco é na qualidade.

O início foi no quintal de casa, com um punhado de mudas. "Tomávamos o café plantado em casa, mas eu não sabia como funcionava, como adubava, como cuidava. Chegou uma hora em que os pés se exauriram. Quando tivemos que comprar no mercado, achamos o sabor horrível. O cultivo veio da vontade de tomar para sempre um café de qualidade", conta o produtor, que lembra de passar a bebida desde a infância.

Em pó, grãos ou cápsulas de espresso, em casa raramente entra material de outros produtores - muito menos não-orgânicos, bandeira defendida por Márcio. "O pequeno produtor tem que agregar valor ao produto, senão não compensa", opina. Na propriedade cercada por montanhas, ele planta, faz, manejo, adubação, colhe e seca as três variedades do grão. Tudo em processo natural.

MERCADO
A pesquisa Tendências do Mercados de Cafés, do ano passado, indica um crescimento de 3,3% no consumo dos grãos tradicionais e de 15% nos cafés gourmet. A tendência é que as cápsulas ganhem cada vez mais espaço. O consumo no Brasil deverá se aproximar do volume do líder EUA até o ano 2021, quando deverá atingir 25 milhões de sacas, se considerada a projeção anual de crescimento.

Segundo informações do Sebrae, a maioria dos frequentadores de cafeterias pertence a um nível sociocultural e econômico médio e alto (classes A e B), tem entre 25 e 60 anos e costuma ir frequentemente a esses ambientes. Segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Brasília (Sindhobar), existem 200 unidades de cafeteria espalhadas pelo quadradinho.

"É um mercado que vem crescendo nos últimos dois anos. Os cafés italianos começaram a tomar conta do mercado brasileiro, que reagiu. Melhorou a qualidade do nosso grão, ampliou a variedade e combinou com o gosto do café. As máquinas ajudaram nisso, permitindo expressos diferenciados, baristas formados. Tudo contribuiu para o mercado que ainda está em ascensão", diz o presidente da entidade, Jael Silva.

Pelo menos três cafezinhos por dia: no café da manhã, após o almoço e no meio da tarde. A rotina da funcionária pública Ana Camargo, 32 anos, não é completa se a bebida não estiver inclusa no cardápio. "Nunca coloquei na ponta do lápis, mas acho que devo gastar uns R$ 200 por mês com café. Tomo em casa, no restaurante, na cafeteria. Serve para encerrar assuntos", brinca.

PANORAMA
Chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Café, Lucas Tadeu Ferreira destaca que o grão é motivo de orgulho nacional. O País produz um terço de todo o café do mundo. "De cada três xícaras, uma é brasileira. Somos o maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor. São 15 unidades da Federação com produções, sendo Minas Gerais a maior", diz.

Hoje, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o parque cafeeiro está estimado em 2,22 milhões de hectares. São cerca de 287 mil produtores, predominando mini e pequenos, em aproximadamente 1,9 mil municípios distribuídos em 15 unidades da Federação. Isso coloca o Brasil no topo do ranking de fornecedores do mundo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café, as exportações nos últimos 12  meses atingiram volume equivalente a 30,58 milhões de sacas e arrecadaram US$ 5,050 bilhões de receita cambial.

Para este ano, a expectativa é de recorde histórico das lavouras. A produtividade estimada dos Cafés do Brasil é de 28,41 a 30,54 sacas por hectare. No primeiro bimestre, os Cafés do Brasil foram exportados para 99 países e geraram receita cambial de US$ 808. Em ordem, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Japão são os principais importadores do grão brasileiro.

PARTE DA HISTÓRIA
A relação do Brasil com o grão-queridinho é antiga. O café foi a principal base da economia do País por quase cem anos, durante o período conhecido como economia cafeeira, entre 1840 e 1930. No século XVIII, quando desembarcou em solo tupiniquim, o café era produto artesanal. Somente no século seguinte começou a ser produzido e exportado.

Na década de 1830, passou a ser protagonista da agroeconomia. As produções tiveram início no Rio de Janeiro, foram para o Vale do Paraíba, entre as terras cariocas e São Paulo, até chegar ao Oeste paulista, ao Sul de Minas Gerais e ao Norte do Paraná.


Fonte: JBr.




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